Map of Federal District of Brazil - US Army, The Army War College, Washington DC, 1941 

cortesia de John Arthur, brazilbrazil.com )

ESTADOS UNIDOS DA BARRA DA TIJUCA

Se o Brasil não tivesse passado para o lado dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, provavelmente o Rio de Janeiro (então distrito federal e capital do país) seria atacado pelos norte-americanos. Será que nossos militares estavam estrategicamente preparados para a defesa de nosso território?

Provavelmente, não. Pelo menos é o que se deduz ao observar a planta acima, um documento secreto e de uso exclusivo do exército  dos EUA. O documento indica que a parte mais vulnerável do município, naquele ano de 1941, continuava sendo o litoral sul por onde, em 1710, o corsário francês Jean François Duclerc desembarcou 1.200 homens, sem encontrar resistência, e atacou a cidade, chegando até a Praça XV, no centro.

Ou seja, 250 anos após a invasão francesa, as praias ao sul da Barra da Tijuca, principalmente Guaratiba e Sepetiba, continuavam as mais vulneráveis e desprotegidas. Veja no detalhe do mapa as três setas indicando aquela parte do litoral com a seguinte legenda, traduzida: "Área mais favorável para desembarque, apresentando praias não protegidas por defesas fixas".

O mapa indica também outros pontos estratégicos a serem considerados pelos americanos na eventualidade de um ataque ao Rio, como hospitais, prédios militares, fábricas, depósitos de combustíveis, aeroportos, estações marítimas e até a malha viária dos bondes, principal meio de transporte urbano na época.

Outras curiosidades chamam a atenção, como um projeto de loteamento para a área do Morro de Santo Antônio que, entretanto, só viria a ser derrubado quase 20 anos depois. A esplanada do Morro do Castelo (este sim, já demolido) é mostrada também como um projeto e o Aeroporto Santos Dumont, que recebeu a maior parte do aterro retirado do Castelo, ainda é apenas uma marcação retangular na planta. 

Difícil de entender é aquele conjunto de quarteirões e avenidas projetado junto ao futuro aeroporto, onde era a ponta do Calabouço, obra que jamais foi concretizada. Em certos aspectos, o desenho lembra o "Plano Agache", um plano diretor idealizado na década de 1920 e que também não foi executado, embora algumas de suas indicações sirvam de parâmetro ainda hoje para o urbanismo carioca.

De qualquer forma, se não chegou a haver o desembarque de tropas dos EUA naquelas bandas pra lá da Barra da Tijuca, nem por isso a invasão americana deixou de acontecer, pois é justamente nessa região que hoje moram os brasileiros mais "americanizados" do país, a ponto de terem erigido uma inusitada réplica da Estátua da Liberdade no bairro.

Coincidência ou estratégia, o fato é que em 1941 os americanos já conheciam o melhor caminho para dominar os cariocas - se não pela força, culturalmente.

Celso Serqueira e-mail do autor

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