Pascaert vande Noort-Zee om achter Yrlands en Schotland om te seylen,

 De Wit - R. & I. Ottens, Amsterdam, 1745

PORTOLANO, A TEIA DE ARANHA CARTOGRÁFICA

Parte 1 de 2

Certamente você já reparou em mapas antigos riscados por um monte de linhas retas, como se fossem teias de aranha. São as cartas portolanos, que marcaram o início da cartografia científica. Seu objetivo era guiar os navegadores de porto a porto, ao contrário da concepção moderna de localizar uma posição. 

Lá pelo século 14, os exploradores careciam de orientação para se deslocarem num mundo pouco conhecido e cada vez mais disputado. Por isso, os mapas (cartas) marítimos passaram a ter um caráter prático, pois seu objetivo principal era servir à navegação. Dessa forma, eram desenhados com muitas linhas de rumo e poucas representações geográficas - basicamente, o litoral e os pontos do interior que poderiam ser vistos do mar e servir como referência aos navegantes, que raramente perdiam a costa de vista.

As cartas portolanos não tinham coordenadas geográficas, mas retas direcionais (linhas de rumo) que partiam de uma rosa dos ventos principal e se entrecruzavam com mais linhas de outras rosas dispostas ao redor daquela. Este traçado permitia calcular os pontos de acerto de rota com o auxílio da bússola, que fora introduzida na Europa por mercadores árabes vindos da China. Nos portolanos, freqüentemente o Norte aparece à direita e o Oeste na parte superior.

Apesar de não possuírem marcações de latitude e longitude, os portolanos eram eficientes cartas de navegação. Sua atualização era contínua, a partir de informações obtidas dos diários de bordo e pela determinação de distâncias e posições através da leitura da bússola. Naquela época, cada navio levava um cartógrafo para trabalho interno, ou seja, para orientação pessoal do capitão. Cada mapa de bordo, no decorrer de alguns anos, se tornava praticamente personalizado e representava um bem extremamente precioso.

Embora a Escola de Maiorca, na Espanha, tenha sido um importante centro de produção destes mapas, os portugueses participaram ativamente de seu aperfeiçoamento, principalmente com o surgimento da Escola de Sagres. As primeiras cartas portulanos são de origem italiana, feitas em Gênova e Pisa. As mais belas foram produzidas em Palmas de Maiorca.

(continua...)
Celso Serqueira e-mail do autor

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