A partir da esquerda, começando na parte superior: 

1866, surge o primeiro Papai Noel com a aparência próxima da atual;

1885, um Papai Noel imundo após descer pela lareira anuncia o sabão Ivory;

1928, o bom velhinho indica a carabina Stevens como presente para as crianças;

1909, o Noel francês vira alquimista para vender perfumes;

1920, ele fuma e recomenda os cigarros Murad.

A OUTRA ORIGEM DO NATAL

O Natal nos moldes atuais é coisa recente, criada pelos norte-americanos para conter a violência original desta festa e - lógico - incrementar o comércio. Mas nem sempre o aniversário de Jesus foi o motivo da comemoração.

Muito antes de Cristo, já havia na Europa mitos e rituais relacionados ao solstício de inverno. Na Escandinávia, em 21 de dezembro, era comemorado o Yule, ocasião em que os chefes de família queimavam grandes toras em adoração ao sol. Na Alemanha, honrava-se o temido deus Oden, que em seus vôos noturnos escolhia quem iria se dar bem e quem seria desafortunado no ano seguinte. 

Em Roma fazia-se uma homenagem - Saturnália - ao deus da agricultura. Era um mês de bacanais, comida, fartura e desregramento total. Também comemorava-se, no dia 25 de dezembro, o dia do deus Mithra, uma divindade infantil muito popular, nascida de uma pedra. 

Nos primeiros tempos após o advento do cristianismo, ainda não se festejava o nascimento de Jesus, mas apenas a Páscoa ou a Ressurreição. Somente no século VI a Igreja achou conveniente instituir o feriado relativo ao aniversário de Cristo, mas havia um problema: a Bíblia não informava qual era essa data.

Foi então que, apesar das referências de que o Nazareno nascera na primavera, o imperador Julius achou por bem determinar que Cristo veio ao mundo no inverno, em 25 de dezembro, e assim absorver a milenar festa pagã de Mithra, comemorada na mesma data, e os festejos libertinos da Saturnália. Pouco a pouco, a manifestação católica se sobrepôs às demais comemorações originais por toda a Europa e, depois, no mundo. Vitória da Igreja. 

Mas nem sempre e nem em todos os lugares o Natal foi uma festa familiar e de paz. Na Inglaterra, no século 17, a data era sinônimo de bagunça: costumava-se eleger um indivíduo desocupado como "Lord da Baderna" e, sob suas ordens, os pobres iam às casas dos ricos para exigirem a melhor comida e bebida. Quem não fornecesse, era ameaçado e tinha sua casa atacada violentamente (uma versão mais pesada do Halloween: "gostosuras ou travessuras?"). Era tal o pavor das famílias com a proximidade do Natal, que a comemoração chegou a ser proibida durante vários anos pelos britânicos. 

Na América, o Natal só começou a ser comemorado no século 19, época de desemprego e luta de classes, prevalecendo o violento modelo de comemoração inglês. As brigas de gangues em Nova Iorque atingiram seu auge na época natalina, levando o Conselho Municipal a criar, em 1828, a primeira força policial da cidade, que surgiu com a missão específica de combater os conflitos de Natal. 

Mais recentemente, atendidos os interesses católicos, o nascimento de Jesus passou a servir ao novo poder mundial: o capitalismo. Data máxima do marketing e do comércio a partir do século 20, o Natal desde então arrasta multidões aos shoppings e supermercados, em obediência à ordem suprema da publicidade para o consumo desenfreado e irracional. A mensagem é tentadora: compre e será feliz! 

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Fonte principal: Jipemania, um ótimo site recomendado para conhecer a história da Coca-Cola, do Natal e do Papai Noel através da publicidade

Clique aqui para baixar pesquisa do jornalista José Roitberg sobre a história do Natal (em PDF)

Celso Serqueira e-mail do autor

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