Como transportar escravos em navios negreiros, Notices of Brazil, Walsh, 1831

MAPAS DA VERGONHA

Em 1807, o Parlamento Britânico proibiu o tráfico de escravos, mas várias nações - inclusive o Brasil - passaram a transportá-los clandestinamente. Inglaterra e Estados Unidos começaram então a patrulhar a costa da África e a abordar todo navio que achassem suspeito de contrabando. Os escravos encontrados eram levados de volta ao continente e a embarcação, apreendida.

Um dos principais relatos sobre as condições do tráfico de negros foi feito pelo reverendo Robert Walsh, que esteve num dos navios-patrulha ingleses. Ele conta que em 22 de maio de 1829, interceptaram um navio suspeito, e a cena com que se depararam era terrível: os negros estavam amontoados num local tão lotado e tão baixo que cada um tinha que se sentar em meio às pernas dos outros (veja figura acima, de fundo verde), sem espaço para se mexerem e fazendo suas necessidades nesta posição.

Eram 336 homens e 226 mulheres seminus e acorrentados em meio a uma atmosfera fétida. Alguns mortos, muitos doentes e outros em agonia, asfixiados pela falta de ventilação. Eram cerca de 85 m² para cada grupo de 230 escravos. Os sobreviventes foram salvos, alimentados e repatriados. O navio negreiro era o "Feloz", comandado por José Barbosa, e se destinava à Bahia.

Era costume dos traficantes colocarem escravos em todos os espaços disponíveis no navio. Veja no segundo mapa, de fundo cinza, outra forma muito usada de acomodação de escravos nas embarcações: os negros eram acorrentados deitados, lado a lado, em espaços internos que não chegavam a ter meio metro de altura. Mal conseguiam virar de lado para mexerem um pouco o corpo. Assim viajavam durante semanas e a maior parte, obviamente, chegava morta ou doente ao destino.

Celso Serqueira e-mail do autor

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