Parte do Mapa da Capitania de Minas Gerais, com as divisas de suas Comarcas,

de Carlos Jozê do Reis e Gama, ano 1778

POR QUE O MINEIRO TRABALHA EM SILÊNCIO

É sempre interessante descobrir na história a origem de certas expressões de linguagem que usamos até hoje. Veja como se formou a fama dos mineiros.

Em 1714, as Minas Gerais faziam parte da Capitania de São Paulo e, após a descoberta de ouro, a região foi dividida em três comarcas. Dentre os marcos divisórios instalados, havia um cruzeiro - cruz de ferro - no alto do Monte Caxambu, na estância hidromineral de mesmo nome. Ele indicava a divisa entre as comarcas do Rio das Mortes, em São João Del Rei, e da Vila de Santo Antonio de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba. 

Em decorrência da Guerra dos Emboabas, em 1720, criou-se a capitania independente das Minas Gerais, que tinha como referência aquele cruzeiro colocado no Monte Caxambu. Para o Norte seria Minas, para o Sul seria São Paulo. O problema para os mineiros era que isso proporcionaria aos paulistas a posse de uma grande extensão de terra nas montanhas e as bacias dos rios Grande, Verde e Sapucay - território e mananciais do interesse de Minas. 

O que fizeram os mineiros para reverter esta situação? Pegaram em armas para defender com sangue as terras disputadas? Conclamaram o povo para se insurgir contra o governo? Não, nada disso. Pacíficos e matreiros como são os mineiros, os membros da Câmara de São João Del Rei furtivamente mudaram a posição do marco, levando-o para o alto da Serra da Mantiqueira, cerca de 80 quilômetros adiante, já no lado do Vale do Paraíba, o que deu origem, mais tarde, à cidade paulista de Cruzeiro. Com esse artifício, Minas ganhou toda a região conhecida hoje como "Terras Altas da Mantiqueira". 

E daí vem a expressão "mineiro trabalha em silêncio", significando que aquele povo usa a esperteza e não o confronto para resolver os seus problemas.

Celso Serqueira e-mail do autor

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