Plan de Paris, France - Michel Etienne Turgot - 1739

QUE LAS HAY, LAS HAY!

Outro dia, numa conversa com amigos, alguém comentou sobre uma misteriosa maldição da Igreja de São José (templo envidraçado à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro), segundo a qual os casamentos ali realizados não perduram.

Tidos pela população leiga como superstição, casos como este são mais comuns do que se imagina. Segundo os especialistas, entretanto, esses fenômenos podem ter muitos motivos, que vão desde energias telúricas até interferência de "almas do outro mundo". 

Pelo sim, pelo não, a verdade é que as cidades mais antigas e com maior volume de história são pratos cheios para casos sobrenaturais. A luminosa Paris francesa, por exemplo, parcialmente representada no mapa acima, de 1739, até hoje mantém muitos de seus tradicionais mistérios e encantamentos nas igrejas, conventos e mosteiros mais antigos. 

O pesquisador Roger de Lafforest, no livro (esgotado) "Casas Que Matam", cita alguns casos clássicos, como a Trapa de Nossa Senhora das Neves, perto de Saint-Laurent, que há séculos confere aos seus monges o dom de apagar o fogo espontaneamente. Quando ocorre um incêndio na região, é costume buscar um dos religiosos do monastério e sentá-lo bem próximo das chamas; em poucos minutos, elas retrocedem, segundo os franceses. São conhecidos como monges "corta-fogo".

Outro fato peculiar é o de uma casa em Sauve-Plantade, aldeia situada perto de Vogüê, em Ardèche, que há décadas concede aos seus habitantes o dom de curar diversas doenças menos graves. 

Já a casa paroquial de Saint-Jean-de-Lapinasse impõe ao residente a faculdade de descobrir veios de água subterrânea. O padre Faramelle, que viveu 25 anos nesta casa, registrou a localização de 10.275 fontes de água potável usando apenas um guarda-chuva, cuja ponta metálica assinalava o local a ser escavado.

Mas a minha preferida e mais pitoresca é a história que Lafforest conta sobre o Palácio da Justiça de Aurillac, que transmite ao seu zelador, segundo antiqüíssima tradição, o dom de destilar licores especiais (há quem os diga "mágicos").

Diante de tamanhos prodígios, convenhamos, não é nada demais a nossa igreja da Lagoa provocar umas separaçõezinhas, concorda?

Celso Serqueira e-mail do autor

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