Ebstorf Mappamundi, ano de 1236

QUANDO JESUS ERA O CAMINHO

Este é o maior mapa-múndi medieval conhecido, com 30 peças de pergaminho que somam 3,5 m de diâmetro. O seu autor é Gervais de Tilbury, que o desenhou em 1236 com o objetivo de fazer propaganda para as Cruzadas. 

O documento original foi encontrado por acaso em 1830 no convento de Ebstorf, perto de Lunebourg (Alemanha). No bombardeio à cidade de Hannover durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi destruído e restaram apenas quatro reproduções. 

Uma curiosidade que chama a atenção é que o mapa está desenhado sobre o corpo de Jesus crucificado. Vê-se a cabeça de Cristo na parte superior do mapa, orientada como Leste. Nas extremidades laterais, suas mãos apontam o Norte e o Sul, enquanto os pés aparecem na parte inferior, indicando o Oeste. Os mapas atuais têm a parte de cima voltada para o Norte e não para o Leste, mas as ordens místicas em geral ainda consideram o Leste - nascer do sol - o ponto cardeal principal. 

A fusão (ou confusão) do religioso com o científico era comum numa época em que a Igreja punia severamente quem ousasse desvelar os mistérios da natureza sem a sua autorização. Alguns religiosos, porém, alegam que a representação de Jesus nos mapas reflete a sua própria palavra: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida..." (cá entre nós, me parece óbvio que este 'caminho' tinha um sentido figurado, não era um fato geográfico).

Ao centro do mapa figuram Jerusalém - representado por um recinto quadrado de 12 voltas - e Jesus ressuscitado. O corpo de Cristo identifica-se com a superfície da Terra. Domina todos os conhecimentos do mapa. É o inventor da infinita diversidade do mundo. Ver o mapa é ver Cristo e meditar sobre a criação e a vida eterna. Esta foi a intenção do cartógrafo Tilbury. 

Acredite, este desenho era a representação cartográfica oficial do planeta no século XIII. Mostrava todo o pouco que se conhecia do mundo. E como o documento saiu mais preciso em relação à religião que à geografia, o autor adicionou uma legenda na obra, recomendando aos viajantes para recorrerem a um guia experimentado em vez de seguirem apenas o mapa. Um tipo de ressalva que hoje não seria admitida pelo Código do Consumidor.

Celso Serqueira e-mail do autor

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