Ilustrações extraídas de mapas de Diego Gutierrez - Espanha, 1562, 

Levinus Hulsius - Alemanha, 1599 e Petrus Bertius - Holanda, 1640

CANIBALISMO, ASPECTO MACABRO DA HISTÓRIA 

Parte 2 de 5

Os gregos, segundo a sua mitologia, foram antropófagos; Aquiles imolou na pira centenas de jovens; quando os filhos de Israel entraram na "terra da promissão", encontraram as fornalhas do deus Baal, onde se assavam crianças. Destes sacrifícios humanos derivaram os de animais, como a imolação de reses no Templo de Salomão, que evoluíram até a "perfeição" dos frigoríficos atuais, que produzem a picanha, o pernil e o frango de nossas mesas. O canibalismo deixou rastros nas Américas do Sul, Central e do Norte, Austrália, Nova Zelândia, Polinésia, Europa, Ásia, África - enfim, em todos os cantos da Terra.

Quando os espanhóis aportaram no México, os sacrifícios estavam no auge, bem como os banquetes onde o prato principal era a carne humana. Os mexicanos ainda guardam a mesa de pedra entalhada e a faca de obsidiana (pedra cortante, de origem vulcânica) com que os sumos sacerdotes abriam o peito e arrancavam o coração ainda palpitante das vítimas, seguradas na pedra por cinco auxiliares vestidos de preto. Assim eram sacrificadas - e comidas - cerca de 20 mil pessoas por ano. 

Na Espanha, o cerco romano às cidades de Astapa, Numancia e Calagurris, quase 150 anos antes de Cristo, provocou o canibalismo consentido e o suicídio coletivo da maior parte das respectivas populações. Na Irlanda antiga, como no México, a imolação de seres humanos esteve em voga. Os pais irlandeses imploravam aos deuses que os conservassem vivos até o dia do casamento da filha. Nesta festa, a sogra era abatida e servida como churrasco, após ser engordada para esta ocasião durante meses. 

Entre os tártaros, quando acabavam as provisões de carne, as cozinheiras exigiam dos comandantes a entrega dos prisioneiros de guerra ou de crianças órfãs para servirem de refeição. Já o corpo dos condenados à morte tinha o mesmo fim, porém, outra finalidade: os sentenciados eram executados em praça pública e seus despojos distribuídos entre o clã; acreditava-se que o consumo da carne de criminosos imunizava contra impulsos mórbidos, uma espécie de vacina contra tendências criminosas.

Embora pareça que a antropofagia coletiva ocorreu no passado distante, ela foi praticada até meados do século passado, e ainda hoje existem casos isolados. Em 1947, quando o rei da Inglaterra visitou as tribos negras da África do Sul, os guerreiros bantus, em sinal de amizade, bradaram: "Traga os seus inimigos! Queremos comê-los!". O cruel ditador Idi Amin Dada, de Uganda, na década de 1970, seguia a tradição de comer o fígado de seus muitos inimigos - em público, com TV. As poucas jovens que se recusaram a ter relações sexuais com ele foram estupradas e depois tiveram seus clitóris mastigados. Já o Imperador da República da África Central, Jean Bokassa, nessa mesma época, preferia crianças, que escolhia nas salas de escolas primárias.

Ainda no século 20, durante a guerra entre os EUA e o Japão, os soldados americanos encontraram açougues na Nova Guiné que vendiam carne de moças jovens e bem tratadas. Também as tropas alemãs, ao invadirem a cidade de Kiev, na Ucrânia (ex-URSS), em 1941, ficaram horrorizadas ao verem carne humana vendida a quilo nas lojas do belíssimo Mercado Municipal, que existe ainda hoje. Os "açougueiros" soviéticos foram presos e imediatamente enforcados. É curioso que a moral apurada destes soldados não os tivesse impedido de fuzilar friamente, nesta mesma ocasião, os quase 100 mil judeus que moravam na cidade. Existem também relatos de canibalismo em situações extremas de fome, principalmente em invernos rigorosos. Um dos mais famosos é o caso do avião que caiu nos Andes em 1972. 

(continua...)                      

Celso Serqueirae-mail do autor

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