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Mapa anexo do Albhum Geographico, 1926

PIRÃO POUCO, O MEU PRIMEIRO!

Este documento, bem discreto, mostra de onde vinham os alimentos na década de 1920 para o Rio de Janeiro. Nota-se como a vida era simples antes da globalização: os produtos tinham origem definida, havia pouca variedade e quase nada era industrializado. Provavelmente, era mais sadio que hoje - e certamente menos gostoso!

Um detalhe que chama a atenção e valoriza esse mapinha é a indicação da cidade de Palmyra (hoje Santos Dumont), em Minas Gerais, onde surgiu o primeiro queijo industrializado do Brasil. Isso foi em 1880, quando o português Carlos Pereira de Sá Fortes trouxe dois mestres queijeiros da Holanda, Bock e Young, que fizeram em Minas uma adaptação do queijo tipo Edam. Já ouviu falar em Queijo Palmyra ou Do Reino? É o próprio.

Uma surpresa é o bacalhau, que vinha da Terra Nova (Canadá) e não da Noruega ou de Portugal como hoje. Também causa estranheza a falta de referência à cerveja, embora o vinho esteja ali, bem indicado.

A versão ampliada deste mapa traz também os logradouros e dias das 28 feiras livres autorizadas a funcionar no Rio de Janeiro naquela época. Vale lembrar para o pessoal mais novo que as feiras eram fundamentais para o abastecimento da população. Não existiam supermercados, apenas os mercados municipais, uns poucos e geralmente mal providos armazéns de secos e molhados e quitandas*.

A "feira livre de impostos" foi criada durante o vice-reinado do Marquês do Lavradio (1769/1779) para incrementar o comércio, facilitar o abastecimento da população e aumentar o fluxo de mercadorias.

*Nota para os estrangeiros: no Rio, quitanda significa mercearia ou venda, e não doces e biscoitos caseiros como é entendido no resto do País. Aqui não faz sentido dizer "vou comer uma quitanda"!
Celso Serqueira